No início de fevereiro de 2020, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a realização de uma consulta pública para implementar o 5G no Brasil. A consulta pública terá 45 dias de duração. Durante esse período, qualquer pessoa pode apresentar suas contribuições ao edital de licitação das faixas de radiofrequências que permitirão a implementação da tecnologia de quinta geração (5G) no Brasil.

Além de explorarem o serviço, as empresas de telefonia que vencerem o leilão terão que arcar com alguns custos. Elas deverão pagar pela solução que será adotada para evitar que o serviço de telefonia interfira no sinal das parabólicas. Terão ainda que ressarcir as operadoras de TV que hoje ocupam essa faixa.

Mas o que tudo isso significa na prática? Que estamos mais próximos de um enorme salto tecnológico. Isso porque a tecnologia 5G tem o potencial de mudar a forma como usamos a internet. Se o 4G e suas variações permitiram conectar pessoas, o 5G vai nos permitir uma conexão muito mais ampla com as coisas que nos rodeiam.

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Como será o leilão para implementar o 5G no Brasil

No leilão, serão ofertadas quatro faixas de frequência: 700MHz, 2,3 GHz, 26GHz e 3,5GHz. As faixas de frequências são espectros usados para a oferta de telefonia celular e de TV por assinatura.

A faixa de 3,5 GHz é a que desperta mais interesse das empresas de telefonia, por exigir menos investimento para a implantação da tecnologia. O problema é que essa frequência pode interferir no funcionamento das antenas parabólicas de TV.

Uma das soluções propostas para evitar a interferência é o deslocamento para uma faixa paralela e a instalação de filtros nas atuais antenas. Esta seria a solução mais barata. Outra solução para evitar a interferência seria a transferência das operadoras para a banda Ku, que teria um custo muito maior.

Segundo a Anatel, o início da oferta do 5G deve começar poucos meses após a assinatura dos contratos. A previsão é que o leilão ocorra ainda em 2020.

O que falta para termos o 5G no Brasil

No entanto, para que a tecnologia seja amplamente adotada em território nacional, ainda há uma série de desafios que serão encarados pelas empresas envolvidas, assim como pelo governo.

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O Brasil precisa definir qual é a prioridade do 5G no país. O longo território nacional sugere que, como a Finlândia, a rede pode substituir a internet com fio onde não há fibra ótica domiciliar. Porém, o país também precisa acelerar a indústria e o ecossistema de inovação, o que torna o foco no B2B, ou seja, nos negócios, uma opção interessante para os reguladores.

A rede 5G leva uma quantidade muito maior de dados que o 4G por segundo, mas requer uma frequência mais alta. Quanto maior a frequência, menor a área de cobertura. Portanto, serão necessárias mais antenas. Vai mudar o modelo de antenas altas e pouco numerosas para antenas menores e distribuídas no espaço urbano.

Desafios para implantação do 5G no Brasil

Um dos principais desafios para a implantação do 5G no Brasil está na legislação atual, que define os municípios como reguladores das antenas. Em algumas grandes cidades, é proibido que elas fiquem próximas de escolas, hospitais e delegacias.

Portanto, dificulta a implementação da tecnologia, que precisará de uma quantidade bem maior de antenas do que o 4G. Assim, a colaboração de representantes governamentais, como a Anatel, será essencial na negociação com os legisladores municipais.

O que as operadoras dizem sobre o 5G no Brasil

A TIM quer liderar o 5G no Brasil. A operadora já está testando o TIM 5G em Florianópolis, Santa Catarina, desde maio de 2019. Seu objetivo é repetir a trajetória de sucesso e protagonismo do 4G e gerar novas soluções que melhorem a vida dos clientes e impulsionem o desenvolvimento tecnológico no país.

A tecnologia 5G tem um custo alto de implementação, pois precisa de mais antenas, de mais pontos. A nova tecnologia usa faixas de alta frequência (como 3,5 GHz e 50 GHz) que permitem maiores velocidades, mas têm alcance menor, exigindo mais antenas para cobrir uma determinada área.

Outras empresas, como Claro, Vivo, Oi, Ericsson, Nokia, Huawei e CPqD, por exemplo, estão avaliando se filtros instalados em antenas conseguem diminuir a interferência dessa tecnologia em transmissões de satélite.

O que é a tecnologia 5G?

Mas a tecnologia 5G não é só uma internet mais rápida que o 4G? É e não é. O objetivo básico do 5G é levar internet para dispositivos conectados (automóveis, fechaduras eletrônicas, câmeras de segurança e milhares de outras aplicações de Internet das Coisas) e viabilizar acesso de banda larga fixa com altas velocidades, sem que as operadoras precisem de fibra ou cabeamentos de cobre até o cliente.

A tecnologia traz maiores velocidades (acima de 10 gigabits por segundo), permite maior número de dispositivos conectados (1 milhão de devices a cada quilômetro quadrado) e menor latência. A rede também permite diferenciar aplicações por camada, permitindo priorizar aplicações críticas (cirurgias remotas, por exemplo) dentro do fluxo de dados.

Qual será a velocidade com a tecnologia 5G no Brasil

A velocidade do 4G, que provavelmente está ao alcance das suas mãos neste momento, é de 1 Gbps por segundo. A nova rede, em seu potencial máximo, será capaz de oferecer velocidade padrão de 20 Gbps por segundo. Seu celular 5G, por exemplo, provavelmente vai ser mais rápido que o Wi-Fi da sua casa.

Baixar uma playlist de 1 hora no Spotify demora cerca de 20 segundos com o 4G. Com o 5G, esse tempo será de 0,6 segundos. Se quiser levar um filme para assistir durante uma viagem, vai levar 3,7 segundos para baixá-lo, enquanto hoje se gasta cerca de 2 minutos com o 4G. O popular jogo Fortnite demora 14 minutos para ser baixado usando tecnologia 4G e a expectativa é que com o 5G bastarão 24 segundos.

Os novos celulares com a tecnologia 5G

Em todo o mundo, operadoras e fabricantes como Samsung, Xiaomi, LG, Motorola, ZTE ou Huawei estão adaptando equipamentos para oferecer aos consumidores esse tipo de conectividade.

Um relatório da Gartner, empresa de análise de dados, revela que a tecnologia 5G deve impulsionar as vendas globais de celulares dos próximos dois anos. Nesse sentido, prevê que em 2020 a tecnologia deve corresponder a 12% dos aparelhos comercializados.

No entanto, esse número seria ainda mais expressivo até 2022, quando aumentará para 43%. “A maior disponibilidade de aparelhos 5G aumentará as substituições de celulares, o que levará as remessas globais desses dispositivos voltarem a crescer em 2020”, disse Ranjit Atwal, diretor sênior de pesquisa da empresa.

Como a tecnologia 5G chegou a outros países

Até o final de 2019, cerca de 40 redes em 22 países estavam oferecendo serviço com a tecnologia 5G. Ela já está disponível em países como Reino Unido, Coreia do Sul e em partes dos Estados Unidos. Em dezembro de 2020, o número de operadoras de 5G deve chegar a 125.

Há diferentes estratégias comerciais para dar escala à rede 5G. Elas dependem das características específicas de cada país, assim como do foco em qual setor da sociedade será beneficiado primeiro.

Na Coreia do Sul, primeiro país a lançar o 5G comercialmente, o foco inicial foi fornecer a rede de alta velocidade para empresas. Assim, o setor privado já desenvolveu aplicações interessantes. Um dos primeiros exemplos de uso da tecnologia no país foi em um estádio de baseball. Usuários cujos smartphones estavam conectados ao 5G viram um dragão, criado por realidade aumentada, sobrevoando as arquibancadas. Outro uso comum da rede de alta velocidade na Coreia é no Cloud Gaming, que permite realizar o streaming de jogos com latência baixa, sem perder desempenho.

Já na Finlândia, o 5G foi adotado, neste primeiro momento, para suprir a necessidade de internet de alta velocidade em domicílios. Isto porque, apesar do desenvolvimento, o país não tem fibra ótica em todos os lares. Portanto, a prioridade definida foi levar a banda larga por meio da nova rede sem fio.

Na China, por outro lado, o foco está na indústria. Para aumentar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias, o 5G promete acelerar a Internet das Coisas (IoT) e robótica nas fábricas do país.

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